A minha fraqueza:
A extinção do meu pensamento.
O meu dom:
A noção de tal extinção.
Para que nos últimos dias não acorde só,
Lembrando-me que o Mundo não aconteceu depois de mim,
E que a erosão interior veio sem ninguém a ter desejado,
Mas tolerando-a com a arte das coisas simples,
Dando a paz à minha mente,
Sedução aos meus sentidos
E o tédio ao espírito
E que a poesia não merece.
...
(Que o Mundo se cale
E que a Vida me sussurre
Qual o proveito de existir canonicamente.)
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Excertos poéticos no ecrã: "Simple Men" de Hal Hartley feat. "Can't stand the quiet"
I can't stand the quite either...
But something's comin' up...
sábado, 1 de setembro de 2007
Post de Intermissão
Caros vadios leitores,
Ao fim de:
- 6 artigos publicados na Rubrica "Poema";
- 1 artigo na Rubrica "Rascunhos semi-poéticos";
- 1 artigo na Rubrica "Amostra de Adaptação Poética";
- 2 artigos na Rubrica "Poema Verde";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Poema Alheio";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Excertos Poéticos no Ecrã";
- 2 artigos publicados na Rubrica "Melodias Poéticas";
- 2 artigos publicados de carácter introdutório e conclusivo;
é com muita pena minha que aqui anuncio que vou deixar de escrever ( ou somente "postar" ) nos próximos tempos.
Tenho demasiada informação retida na minha mente, a precisar de ser melhor canalizada, e por consequência de tal atrofio nas minhas sinápses e neurónios, vou me redimir ao repouso literário.
Porém, não se encare isto como um fim, apenas como uma pausa, ou talvez até uma passagem para uma nova etapa, aqui no "Vagativu Scripta".
Sejam livres de sugerir artigos e ideias, nas quais, o vosso devido mérito será expresso, e com a marca da vossa assinatura, ou daqueles que vocês escolheram para destacar aqui. Ou então sejam apenas livres de comentar ou não comentar, pois eu serei livre também, de os postar ou não postar.
Agora, se me desculpam, eu vou vadiar e então procurar algo que ainda não sei bem o quê...
Atenciosamente,
Pedro Mileto (o vadio)

----------------------------------------------------------------------------------
ERRATA:
- Onde se lê mente , deverá ler-se "mente" ;
- Onde se lê literário, deverá ler-se "literário".
Ao fim de:
- 6 artigos publicados na Rubrica "Poema";
- 1 artigo na Rubrica "Rascunhos semi-poéticos";
- 1 artigo na Rubrica "Amostra de Adaptação Poética";
- 2 artigos na Rubrica "Poema Verde";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Poema Alheio";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Excertos Poéticos no Ecrã";
- 2 artigos publicados na Rubrica "Melodias Poéticas";
- 2 artigos publicados de carácter introdutório e conclusivo;
é com muita pena minha que aqui anuncio que vou deixar de escrever ( ou somente "postar" ) nos próximos tempos.
Tenho demasiada informação retida na minha mente, a precisar de ser melhor canalizada, e por consequência de tal atrofio nas minhas sinápses e neurónios, vou me redimir ao repouso literário.
Porém, não se encare isto como um fim, apenas como uma pausa, ou talvez até uma passagem para uma nova etapa, aqui no "Vagativu Scripta".
Sejam livres de sugerir artigos e ideias, nas quais, o vosso devido mérito será expresso, e com a marca da vossa assinatura, ou daqueles que vocês escolheram para destacar aqui. Ou então sejam apenas livres de comentar ou não comentar, pois eu serei livre também, de os postar ou não postar.
Agora, se me desculpam, eu vou vadiar e então procurar algo que ainda não sei bem o quê...
Atenciosamente,
Pedro Mileto (o vadio)
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ERRATA:
- Onde se lê mente , deverá ler-se "mente" ;
- Onde se lê literário, deverá ler-se "literário".
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
Poema: "Bipolar"
Arquiva-me os teus sensores extremos
Na minha mente torácica,
Assim nasce um novo ritmo
Na minha pulsação rotineira,
Que já é tão grande e forte,
Como dizem as mães aos filhos
Aos seus três anos de noção existencial.
Tu...
"Uma sequência genética muito estranha"
- Disse-me ontem o Mundo.
"De duas facetas genéticamente emocionais"
- Diz-me hoje aquele que manda no Mundo.
"Com uma mente pálida e felicidade cansada"
- Me dirá amanhã aquele que criou o Mundo.
Eu...
"Estranha? Duas facetas? Mente pálida?
Não sei, nunca soube, nem me apetece saber."
- Digo eu todos os dias.
Eu que sou mais um
Que nunca mandou no meu chão
Em tempo nenhum.
"Oxalá pudesse eu algum dia
Trocar palavras e sentidos
E afectos e desafectos,
E elogios e insultos,
Risos e sorrisos e choros,
E verdades e mentiras,
E a Vida e a Morte,
Com ela, a inteira e infinita estranha sequência"
E esse foi o melhor pretexto
Para ser rigorosamente são
E existir-me nos tempos últimos.
Ontem fui emocionalmente eu contigo,
E racionalmente estóico com o Mundo.
E hoje deste-me um beijo no espírito
E o Mundo fez-me uma vénia.
Bipolar, dizem eles..
Não sei...
...
"Eu sou um Norte,
E Tu és um Sul.
...
É... talvez comigo, sejas bipolar...
E creio que eu também seja..."
- Digo eu...
Na minha mente torácica,
Assim nasce um novo ritmo
Na minha pulsação rotineira,
Que já é tão grande e forte,
Como dizem as mães aos filhos
Aos seus três anos de noção existencial.
Tu...
"Uma sequência genética muito estranha"
- Disse-me ontem o Mundo.
"De duas facetas genéticamente emocionais"
- Diz-me hoje aquele que manda no Mundo.
"Com uma mente pálida e felicidade cansada"
- Me dirá amanhã aquele que criou o Mundo.
Eu...
"Estranha? Duas facetas? Mente pálida?
Não sei, nunca soube, nem me apetece saber."
- Digo eu todos os dias.
Eu que sou mais um
Que nunca mandou no meu chão
Em tempo nenhum.
"Oxalá pudesse eu algum dia
Trocar palavras e sentidos
E afectos e desafectos,
E elogios e insultos,
Risos e sorrisos e choros,
E verdades e mentiras,
E a Vida e a Morte,
Com ela, a inteira e infinita estranha sequência"
E esse foi o melhor pretexto
Para ser rigorosamente são
E existir-me nos tempos últimos.
Ontem fui emocionalmente eu contigo,
E racionalmente estóico com o Mundo.
E hoje deste-me um beijo no espírito
E o Mundo fez-me uma vénia.
Bipolar, dizem eles..
Não sei...
...
"Eu sou um Norte,
E Tu és um Sul.
...
É... talvez comigo, sejas bipolar...
E creio que eu também seja..."
- Digo eu...
sábado, 18 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Excertos Poéticos no Ecrã: "Henry Fool" de Hal Hartley
Em anáforas, o tom de voz é o que dá a cara diferente a cada verso.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
Poema: "Trova assumidamente lamechas num postal transatlântico"
Quando os deuses deixaram de dormir,
Eu com a poesia os tornei a embalar,
Para que dos sonhos eles não pudessem sair
E com um divino poema eu te fizesse acordar.
Não me apetece separar o real do platónico,
E extendi-me da Razão para o surreal.
Pode o meu bom senso tornar-se crónico,
Mas és digna que te escreva como tal!
Com a caneta eu crio mundos ousados,
Com a caneta eu sou um torácico marginal,
Que se atreve a deixar-te versos marcados,
Quando invades a minha atmosfera mental.
Nela guardo lugar para as epifanias cardíacas
Que no teu peito me trarás do extremo ocidente.
Para tal, deixarei de fora as sinápses maníacas,
Que facultam medos de cantar-te por toda a gente.
Em horas que a rotina adormece-me o espírito,
Meu pensamento abriga-se num universo pessoal,
O meu ego torna-se então no núcleo do Mundo,
E tu'alma na sua maior interjeição emocional!
Com a minha poesia eu só consigo vadiar,
E ficar-me por este canto mediterrânico.
Resta a tua arte boleia a meu poema dar
E fazer dele o meu beijo transatlântico!
Agora põe estes versos sobre uns papeis amarrotados,
Voltaremos ambos às nossas vidas de cor pálida.
A globalização dos nossos sentimentos embalsamados,
É de momento, a nossa única (meta)física válida.
Ódio em mim por somente ter-te conhecido.
Queria ter-te mais do que és em meu juízo,
Sem sequer contar retirar o teu vestido,
Sem sequer contar retirar o teu sorriso.
Eu com a poesia os tornei a embalar,
Para que dos sonhos eles não pudessem sair
E com um divino poema eu te fizesse acordar.
Não me apetece separar o real do platónico,
E extendi-me da Razão para o surreal.
Pode o meu bom senso tornar-se crónico,
Mas és digna que te escreva como tal!
Com a caneta eu crio mundos ousados,
Com a caneta eu sou um torácico marginal,
Que se atreve a deixar-te versos marcados,
Quando invades a minha atmosfera mental.
Nela guardo lugar para as epifanias cardíacas
Que no teu peito me trarás do extremo ocidente.
Para tal, deixarei de fora as sinápses maníacas,
Que facultam medos de cantar-te por toda a gente.
Em horas que a rotina adormece-me o espírito,
Meu pensamento abriga-se num universo pessoal,
O meu ego torna-se então no núcleo do Mundo,
E tu'alma na sua maior interjeição emocional!
Com a minha poesia eu só consigo vadiar,
E ficar-me por este canto mediterrânico.
Resta a tua arte boleia a meu poema dar
E fazer dele o meu beijo transatlântico!
Agora põe estes versos sobre uns papeis amarrotados,
Voltaremos ambos às nossas vidas de cor pálida.
A globalização dos nossos sentimentos embalsamados,
É de momento, a nossa única (meta)física válida.
Ódio em mim por somente ter-te conhecido.
Queria ter-te mais do que és em meu juízo,
Sem sequer contar retirar o teu vestido,
Sem sequer contar retirar o teu sorriso.
domingo, 22 de julho de 2007
Poema Alheio: "Todas as cartas de amor são rídiculas" do amigo Nandinho(Sob a assinatura de Álvaro de Campos)
Todas as cartas de amor são
Rídiculas.
Rídiculas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Rídiculas.
Rídiculas.
Tambem escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Rídiculas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Rídiculas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Rídiculas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Rídiculas.
A verdade é que hoje
As minhas memorias
D'essas cartas de amor
É que são
Rídiculas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Rídiculas).
Álvaro de Campos, Engenheiro
(21 de Outubro de 1935)
terça-feira, 17 de julho de 2007
Excertos Poéticos no Ecrã "Il Postino" Featuring: "A minha falta de epifanias..."
Estou com falta de epifanias e, consequentemente, de inspiração.
Me aguardem...
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Poema Alheio: "Tabacaria" do amigo Nandinho(sob a assinatura Álvaro de Campos)

Nota Introdutória:
Este poema do nosso ilustre Nandinho, foi aquele a que se calhar eu devo tudo aquilo a que tenho escrito aqui neste blog da minha autoria. Nunca teria eu, algum dia, me voltado para a poesia ou qualquer tipo de escrita se não tivesse a minha pessoa caído nas graças da leitura deste poema. Toda a empatia que o meu ser podia dar e/ou compadecer à poesia e ao Nandinho, deve-se a este poema tão forte e genuíno na mensagem e forma/estética.
Se por acaso tivéssemos um neurónio encarregue da poesia como outra qualquer faculdade motora, este poema seria então a sinápse entre o neurónio da poesia e o neurónio que faz a minha mãozinha esquerda ao escrever(e desculpem-me aqueles que são mestres nas neurociências por qualquer possível barbaridade que possa agora ter expresso aqui...)
Um forte abraço, Nandinho, e muito obrigado por tudo!
João Monteiro Soares
___________________________________________________________
(Deixo-vos agora nas graças daquele que eu considero como o paradigma do Modernismo):
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocotte célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno — não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para àquem do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
15.01.1928
*Para este poema Pessoa encarou a hipótese de outro título: "Marcha da Derrota", que ainda foi
impresso nas provas da Presença
terça-feira, 5 de junho de 2007
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Poema: "A Sara na minha escrita Naif"
Ramo da mesma árvore que a minha,
Ouvi dizer que chegaste ao fim dessa jornada.
Que esperas do futuro translúcido?
Não te posso ajudar a torná-lo transparente,
Mas podes apoiar-te em mim quando o atravessares,
Ainda que eu o percorra de olhos fechados.
Sabes,
Ainda ontem te chamava nomes feios,
Ainda anteontem me chamavas nomes bonitos,
Mas feio ou bonito,
Vamo-nos chamar sempre um ao outro,
Vamos esperar sempre a resposta do outro.
Agora vem o final deste primeiro "fim",
E não contes que seja também o último,
O campeonato ainda decorre,
E tu vais nos lugares da frente.
Ainda não levaste a taça das taças,
Mas de mim, já levas um medalha,
Não de bronze, não de prata,
E muito menos de ouro,
Mas de um beijinho macico meu.
Ouvi dizer que chegaste ao fim dessa jornada.
Que esperas do futuro translúcido?
Não te posso ajudar a torná-lo transparente,
Mas podes apoiar-te em mim quando o atravessares,
Ainda que eu o percorra de olhos fechados.
Sabes,
Ainda ontem te chamava nomes feios,
Ainda anteontem me chamavas nomes bonitos,
Mas feio ou bonito,
Vamo-nos chamar sempre um ao outro,
Vamos esperar sempre a resposta do outro.
Agora vem o final deste primeiro "fim",
E não contes que seja também o último,
O campeonato ainda decorre,
E tu vais nos lugares da frente.
Ainda não levaste a taça das taças,
Mas de mim, já levas um medalha,
Não de bronze, não de prata,
E muito menos de ouro,
Mas de um beijinho macico meu.
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Excertos Poéticos no Ecrã: "Por Una Cabeza" in "Scent Of A Woman"
Às vezes, para se ser eloquente, não são precisas palavras...
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Excertos Poéticos no Ecrã: "Gotta do more! Gotta Be More!" in "Dead Poets Society"
Charlie begins making loud noises with his saxophone.
PITTS
Charlie, what are you doing?
Charlie, what are you doing?
CHARLIE
What do you say we start this meeting?
What do you say we start this meeting?
BOY 1
Y-Yeah, just... I need a light. I just
gotta...
Y-Yeah, just... I need a light. I just
gotta...
BOY 2
Got my earplugs?
Charlie stands up and clears his throat.
Got my earplugs?
Charlie stands up and clears his throat.
CHARLIE
Gentlemen, "Poetrusic" by Charles
Dalton.
Charlie begins playing erratic notes on the sexophone.
MEEKS
Oh, no.
Oh, no.
CHARLIE
Laughing, crying, tumbling, mumbling.
Gotta do more. Gotta be more.
Laughing, crying, tumbling, mumbling.
Gotta do more. Gotta be more.
Charlie plays more erratic sounds.
CHARLIE
Chaos screaming, chaos dreaming. Gotta
do more! Gotta be more!
Chaos screaming, chaos dreaming. Gotta
do more! Gotta be more!
Charlie starts to play a real tune on the saxophone.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Poema: "Era giro..."

Era giro promiscuir todos eles,
Os meus cinco sentidos com os teus.
E nomear cada nascente sanguínea
Do teu espírito eternamente jovial.
E acreditar nos teus ímpios ecos
Que hão para lá dos teus pulmões.
E contar quantas verdades
Tens só no teu timbre colérico
Para com o Mundo ou um mundo qualquer.
Mas por agora,
Dou-te um beijinho enquanto dormes.
Pode ser que um dia acordes
O meu ego com um teu.
Embalsamei os versos dentro do meu tórax,
E agora cantas a verdadeira grandeza
Do meu ritmo cardíaco...
.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
Amostra de Adaptação Poética: "Asa de Mosca"
Asa de mosca
Pudesse eu ser
Mais insignificante que o próprio insecto
Sem pensamento, sem propósito senão bater
E bater e bater e zumbir
Entrar em casas alheias
Como tenta a minha alma entrar noutras almas
Acabando sempre por ser esmagada
Sem sequer disso me aperceber
Não ter estes cinco sentidos
Menos ainda a consciência de ser
E estar...
Apenas bater e voar
Sem nunca ter de pensar.
Sou cobaia da pior das psicopatologias,
O idealismo:
Ter um golo mentalmente
E ter um muro fisicamente.
Não ter de ter...
Apenas uma asa de mosca ser,
Abrir asas, não para vencer
Apenas para nunca viver um perder.
Pudesse eu ser
Mais insignificante que o próprio insecto
Sem pensamento, sem propósito senão bater
E bater e bater e zumbir
Entrar em casas alheias
Como tenta a minha alma entrar noutras almas
Acabando sempre por ser esmagada
Sem sequer disso me aperceber
Não ter estes cinco sentidos
Menos ainda a consciência de ser
E estar...
Apenas bater e voar
Sem nunca ter de pensar.
Sou cobaia da pior das psicopatologias,
O idealismo:
Ter um golo mentalmente
E ter um muro fisicamente.
Não ter de ter...
Apenas uma asa de mosca ser,
Abrir asas, não para vencer
Apenas para nunca viver um perder.
sexta-feira, 13 de abril de 2007
Poema Alheio: "O Me! O Life!" de Walt Whitman

O me! O life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I,
and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the
struggle ever renew'd,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see
around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring--What good amid these, O me, O life?
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I,
and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the
struggle ever renew'd,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see
around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring--What good amid these, O me, O life?
Answer.
That you are here--that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.
That you are here--that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.
terça-feira, 10 de abril de 2007
Rascunhos (Semi)Poéticos - "Conformismo Involuntário ou Inconformismo Voluntário"
(Poesia... Pensar em poesia...
Escrever poesia... Escrever.. Escrever...
Algo original... inovador... apelativo...
Eloquente... Filosófico... Metafísico...)
(Humm... Poesia... Escrever... Pensar... Pensar...
Em quê? Humm... Amores e desamores?
Humm...)
Escrever poesia... Escrever.. Escrever...
Algo original... inovador... apelativo...
Eloquente... Filosófico... Metafísico...)
(Humm... Poesia... Escrever... Pensar... Pensar...
Em quê? Humm... Amores e desamores?
Humm...)
"És lilás, és simplicidade, és coreógrafa do meu coração
Que dança para contemplar o teu!!!"
(Não... É lamechas... é banal... é nojento... é enjoativo...)
(Sociedade? Nem sei por onde começar!!)
Sociedade - Parte I:
Que dança para contemplar o teu!!!"
(Não... É lamechas... é banal... é nojento... é enjoativo...)
(Sociedade? Nem sei por onde começar!!)
Sociedade - Parte I:
Materialismo VS Espiritualismo
"Sou espiritual, sou anti-futilidades materiais..."
(No entanto, tenho de comprar mais um maço de tabaco
Com os trocos que me sobram do ordenado da companhia de telefones
Que serve a minha subsistência para fazer a Arte,
A arte espiritual anti-mecenas, anti-material e anti-consumista,
Entre certos artefactos industrial mas pessoalmente inúteis
Que regalam os meus sentidos...
"(E Tenho mesmo vontade de fumar mais um cigarro...
Raios partam a Arte...
Isto também não resulta... não é verdadeiro... a contradição...
AH! A contradição!)
"Oxalá só fosse a contradição voluntária e a metafísica
Tão metafísica ao ponto de aguçar todos os neurónios e sinapses
Que despertam outros sentidos para além dos convencionais cinco...
"(Não... Assim a metafísica é mais física que metafísica!
A contradição também não resulta...
M...)
Sociedade - Parte II:
Prosmiscuidade VS Afectividade
(Hmm... Mas eu sou ambos!
Mas também, para dois seres muito próximos,
A promiscuidade não lhes pode ser (e)afectivamente prática?
Hmm...)
"Eu e tu somos práticos e estamos mais ainda apaixonados,
Vamos contemplar-nos de todas as formas que nos contemplam,
Tão físicamente intenso, tão tactilmente poderoso que até nos toca a alma!
Somos promíscuos, mas somos mútuos,
Como nos é mútua a nossa afectividade!
Sim! É tão bom para mim! E mais ainda bom para nós
Por saber que é tão bom para ti como para mim,
E vice-versa e versa-vice!
E mútua é toda a nossa intimidade,
Sempre partilhada, sempre equilibrada!
Na balança mais rigorosa do Universo,
Que nos dá uma confiança maior que as nossas almas juntas!
E que nem precisamos de medir de tanta ser a nossa confiança!
Parte essa balança!
Põe em cima da cama a tua intimidade que eu ponho a minha!
Em tudo somos próximos, em tudo somos mútuos, em tudo somos íntimos!
Grande é o nosso amor que torna maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna maior o nosso amor,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso amor!
amor, sexO!
amoR, seXO!
amOR, sEXO!
aMOR, SEXO!
AMOR, SEXXXO!
DÍZIMA INFINITA NÃO VARIÁVEL DE DUAS PARCELAS!
A PARCELA "AMOR" COM A PARCELA "SEXO",
DO PRODUTO DA (NOSSA) INTIMIDADE!
E O RESULTADO SOMOS NÓS!!! FUNDIDOS!!!
TABELA DE PROPORCIONALIDADE DIRECTA DE CONSTANTE
AMORxSEXO=INTIMIDADE!
Tamanha a nossa proximidade, afectividade, intimidade, promiscuidade
Que por ti, faço tudo!
Todo o nosso afecto vem servido
Com a cobertura da íntimidade dos valores de príncipios,
E dos favores voluntários da partilha das tarefas rotineiras.
Sim, eu vou até ao fim do mundo contigo,
Sim, eu vou apertar a tua mão no momento do parto do nosso filho
"Sou espiritual, sou anti-futilidades materiais..."
(No entanto, tenho de comprar mais um maço de tabaco
Com os trocos que me sobram do ordenado da companhia de telefones
Que serve a minha subsistência para fazer a Arte,
A arte espiritual anti-mecenas, anti-material e anti-consumista,
Entre certos artefactos industrial mas pessoalmente inúteis
Que regalam os meus sentidos...
"(E Tenho mesmo vontade de fumar mais um cigarro...
Raios partam a Arte...
Isto também não resulta... não é verdadeiro... a contradição...
AH! A contradição!)
"Oxalá só fosse a contradição voluntária e a metafísica
Tão metafísica ao ponto de aguçar todos os neurónios e sinapses
Que despertam outros sentidos para além dos convencionais cinco...
"(Não... Assim a metafísica é mais física que metafísica!
A contradição também não resulta...
M...)
Sociedade - Parte II:
Prosmiscuidade VS Afectividade
(Hmm... Mas eu sou ambos!
Mas também, para dois seres muito próximos,
A promiscuidade não lhes pode ser (e)afectivamente prática?
Hmm...)
"Eu e tu somos práticos e estamos mais ainda apaixonados,
Vamos contemplar-nos de todas as formas que nos contemplam,
Tão físicamente intenso, tão tactilmente poderoso que até nos toca a alma!
Somos promíscuos, mas somos mútuos,
Como nos é mútua a nossa afectividade!
Sim! É tão bom para mim! E mais ainda bom para nós
Por saber que é tão bom para ti como para mim,
E vice-versa e versa-vice!
E mútua é toda a nossa intimidade,
Sempre partilhada, sempre equilibrada!
Na balança mais rigorosa do Universo,
Que nos dá uma confiança maior que as nossas almas juntas!
E que nem precisamos de medir de tanta ser a nossa confiança!
Parte essa balança!
Põe em cima da cama a tua intimidade que eu ponho a minha!
Em tudo somos próximos, em tudo somos mútuos, em tudo somos íntimos!
Grande é o nosso amor que torna maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna maior o nosso amor,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso amor!
amor, sexO!
amoR, seXO!
amOR, sEXO!
aMOR, SEXO!
AMOR, SEXXXO!
DÍZIMA INFINITA NÃO VARIÁVEL DE DUAS PARCELAS!
A PARCELA "AMOR" COM A PARCELA "SEXO",
DO PRODUTO DA (NOSSA) INTIMIDADE!
E O RESULTADO SOMOS NÓS!!! FUNDIDOS!!!
TABELA DE PROPORCIONALIDADE DIRECTA DE CONSTANTE
AMORxSEXO=INTIMIDADE!
Tamanha a nossa proximidade, afectividade, intimidade, promiscuidade
Que por ti, faço tudo!
Todo o nosso afecto vem servido
Com a cobertura da íntimidade dos valores de príncipios,
E dos favores voluntários da partilha das tarefas rotineiras.
Sim, eu vou até ao fim do mundo contigo,
Sim, eu vou apertar a tua mão no momento do parto do nosso filho
(Ou apenas teu e não meu),
E sim, eu vou passar-te o rolo de papel higiénico
Quando estiveres "ocupada" no trono de porcelana..!"
(Er... Isto não soa lá muito bem...)
...
(Raios! Poesia, poesia...
Raios partam a poesia!
E é tudo que me resta, a poesia!
Abençoada poesia!
Não me prejudiques!
Ajuda-me, poesia!)
(Hmm... Poesia...)
(Sentou-se uma jovem com mais enfeites que uma árvore de Natal,
Na cadeira em frente da minha,
Pediu-me lumes, e disse bem do meu cabelo que nunca penteio...
O meu lastimável cabelo...
Hmm...
Pois...
Frio! Com dignidade e convicção!
Mais importante que uma satisfação física
- Que mais é uma masturbação assistida,
Estão os meus ideais,
A minha tentativa de emirgir da superfície
Deste oceano saturado de cloreto de sódio e futilidades,
Para um oceano com cultura para além das suas orlas!
Para acabar que toda a gente coma chocolate!
"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates!
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"
Pois bem...)
-"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo!"
-"... HÃ???!!!! "
-"Er... a menina por acaso não conhece Álvaro de Campos?"
-"Quem? Estuda onde? De que ano?"
-"... Fernando Pessoa, conhece?"
-"Ah! Sim! Muito bem! Bem, eu ADORO! Fernando Pessoa!"
-"E conhece o poema "Tabacaria" ? "
-"Oh, sim! Claro! de trás para a frente!"
-"E então não conhece o excerto desse poema que acabei de citar?"
-"Qual? "
-"...
Hoje, Eu é que realmente não sou nada..."
-"Ai era..? Pois... desculpa... já viste este video clip na MTV? Bem, eu ADORO! e tu?"
(Eu... Bem, eu ABOMINO!
"Abomino estas estrias sociais
Que sobressaem a pele da Verdade!"
Bom... Contudo...
Não quer dizer que seja má pessoa e irreversível...
Né?
...
A verdade é que neste momento sinto-me mais promíscuo que amoroso...
Mas, ainda assim, não vou ferir os sentimentos e valores de alguém
Que é um pedaço deste mundo!
(E que belo pedaço...)
...
Não!
Nem pensar!
Frontal! Directo!
Não fosse a transparência uma premissa do bom senso,
Um dos ideais meus e do discurso do método!
Há que ser transparente! Ser frontal e não ser cobarde!
Cá vai:)
-"Mas quê? Posso pagar-te uma bebida ou preferes antes o dinheiro?"
-"DESCULPA???!!!"
-"Estás desculpada."
TRESCHX!
...
(O que é que se há de fazer?
Era desnecessário o desperdício de cevada em malte na minha cara...
Mas... bom... de qualquer das formas fiz o correcto!
Com nível! Certo?
...
...?
...!
Nem por isso..!)
(Humm...
Decididamente, não sou poeta...
Decididamente, por mais que o meu discurso seja eloquente,
O conteúdo dos meus versos é falso e/ou vazio.
Decididamente.
Também os porquês da Verdade estarão sempre em mim e em toda a gente,
Quer eu os escreva ou não.
Também os amores e desamores da vida acontecem-me,
Quer eu os escreva ou não.
Também, enquanto espiritual, não hei de deixar de fumar,
Quer eu escreva ou não.
Também toda a pessoa mais apaixonada do mundo há de ser um pingo de promíscua,
Quer eu a escreva ou não.
...
Mas ainda assim não me conformo com a sociedade..!
"Raios partam a Terra e quem lá ande!")
Quando estiveres "ocupada" no trono de porcelana..!"
(Er... Isto não soa lá muito bem...)
...
(Raios! Poesia, poesia...
Raios partam a poesia!
E é tudo que me resta, a poesia!
Abençoada poesia!
Não me prejudiques!
Ajuda-me, poesia!)
(Hmm... Poesia...)
(Sentou-se uma jovem com mais enfeites que uma árvore de Natal,
Na cadeira em frente da minha,
Pediu-me lumes, e disse bem do meu cabelo que nunca penteio...
O meu lastimável cabelo...
Hmm...
Pois...
Frio! Com dignidade e convicção!
Mais importante que uma satisfação física
- Que mais é uma masturbação assistida,
Estão os meus ideais,
A minha tentativa de emirgir da superfície
Deste oceano saturado de cloreto de sódio e futilidades,
Para um oceano com cultura para além das suas orlas!
Para acabar que toda a gente coma chocolate!
"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates!
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"
Pois bem...)
-"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo!"
-"... HÃ???!!!! "
-"Er... a menina por acaso não conhece Álvaro de Campos?"
-"Quem? Estuda onde? De que ano?"
-"... Fernando Pessoa, conhece?"
-"Ah! Sim! Muito bem! Bem, eu ADORO! Fernando Pessoa!"
-"E conhece o poema "Tabacaria" ? "
-"Oh, sim! Claro! de trás para a frente!"
-"E então não conhece o excerto desse poema que acabei de citar?"
-"Qual? "
-"...
Hoje, Eu é que realmente não sou nada..."
-"Ai era..? Pois... desculpa... já viste este video clip na MTV? Bem, eu ADORO! e tu?"
(Eu... Bem, eu ABOMINO!
"Abomino estas estrias sociais
Que sobressaem a pele da Verdade!"
Bom... Contudo...
Não quer dizer que seja má pessoa e irreversível...
Né?
...
A verdade é que neste momento sinto-me mais promíscuo que amoroso...
Mas, ainda assim, não vou ferir os sentimentos e valores de alguém
Que é um pedaço deste mundo!
(E que belo pedaço...)
...
Não!
Nem pensar!
Frontal! Directo!
Não fosse a transparência uma premissa do bom senso,
Um dos ideais meus e do discurso do método!
Há que ser transparente! Ser frontal e não ser cobarde!
Cá vai:)
-"Mas quê? Posso pagar-te uma bebida ou preferes antes o dinheiro?"
-"DESCULPA???!!!"
-"Estás desculpada."
TRESCHX!
...
(O que é que se há de fazer?
Era desnecessário o desperdício de cevada em malte na minha cara...
Mas... bom... de qualquer das formas fiz o correcto!
Com nível! Certo?
...
...?
...!
Nem por isso..!)
(Humm...
Decididamente, não sou poeta...
Decididamente, por mais que o meu discurso seja eloquente,
O conteúdo dos meus versos é falso e/ou vazio.
Decididamente.
Também os porquês da Verdade estarão sempre em mim e em toda a gente,
Quer eu os escreva ou não.
Também os amores e desamores da vida acontecem-me,
Quer eu os escreva ou não.
Também, enquanto espiritual, não hei de deixar de fumar,
Quer eu escreva ou não.
Também toda a pessoa mais apaixonada do mundo há de ser um pingo de promíscua,
Quer eu a escreva ou não.
...
Mas ainda assim não me conformo com a sociedade..!
"Raios partam a Terra e quem lá ande!")
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Os versos:
"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"
e
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
são adaptados do poema "Tabacaria" de Fernando Pessoa, sob o heterónimo Álvaro de Campos.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Poema Alheio: " To The Virgins, To Make Much Of Time" de Robert Herrick

Gather ye rose-buds while ye may,
Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles today,
Tomorrow will be dying.
The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he's a getting;
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.
That age is best, which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse, and worst
Times, still succeed the former.
Then be not coy, but use your time;
And while ye may, go marry:
For having lost but once your prime,
You may forever tarry.
Poema: "Crentes"
Ontem à noite fomos uns miúdos,
Que nunca foram ao Porto ou a Lisboa,
Uns crentes...
Fomos até à Foz do Arelho
E ficámos estupefactos com a praia,
Com a noite, e com a noite da praia.
E lembrámo-nos de ti,
E que tu não estavas lá.
Então,
Tentamos trazer-te o mar,
Mas não conseguíamos agarrar a água.
Tentamos trazer-te a areia,
Mas toda ela nas nossas mãos era escassa.
Tentamos inalar toda a brisa marítima,
Mas eramos só quatro pulmões.
Tentamos digitalizar todo aquele panorama,
Mas com a vista só o víamos.
E o som do vento só o ouvíamos,
E não conseguíamos reproduzi-lo.
Contudo,
Colhemos a flor branca da liberdade,
Colhemos a flor amarela do espírito jovem e eternidade,
Colhemos a flor púrpura ou violeta ou magenta ou lilás
Da mútua simplicidade.
Colhemos as folhas verdes e aquelas pseudo-pétalas vermelhas
Da localidade comum ao interior e exterior,
Para ti.
Nós não conseguimos,
Mas esperamos que as flores consigam...
Conseguiram?
...
Não te quisemos acordar,
E deitámo-nos crentes
(Estávamos crentes)
E hoje acordamos crentes
(Somos crentes)
Uns crentes...
Que nunca foram ao Porto ou a Lisboa,
Uns crentes...
Fomos até à Foz do Arelho
E ficámos estupefactos com a praia,
Com a noite, e com a noite da praia.
E lembrámo-nos de ti,
E que tu não estavas lá.
Então,
Tentamos trazer-te o mar,
Mas não conseguíamos agarrar a água.
Tentamos trazer-te a areia,
Mas toda ela nas nossas mãos era escassa.
Tentamos inalar toda a brisa marítima,
Mas eramos só quatro pulmões.
Tentamos digitalizar todo aquele panorama,
Mas com a vista só o víamos.
E o som do vento só o ouvíamos,
E não conseguíamos reproduzi-lo.
Contudo,
Colhemos a flor branca da liberdade,
Colhemos a flor amarela do espírito jovem e eternidade,
Colhemos a flor púrpura ou violeta ou magenta ou lilás
Da mútua simplicidade.
Colhemos as folhas verdes e aquelas pseudo-pétalas vermelhas
Da localidade comum ao interior e exterior,
Para ti.
Nós não conseguimos,
Mas esperamos que as flores consigam...
Conseguiram?
...
Não te quisemos acordar,
E deitámo-nos crentes
(Estávamos crentes)
E hoje acordamos crentes
(Somos crentes)
Uns crentes...
terça-feira, 27 de março de 2007
Poema: "Espantar Extinto"
Onde estou?
Para que lado vou?
Da recta do tédio com a recta da futilidade
Num plano todo ele solitário
De mim, não sei, nem tenho coordenadas concretas
E mal consigo dizer que "cheguei a este ponto!"
Tudo que devoro com um olhar simples
Abafa tudo que foi saboreado com o pensamento construtivo,
Pela lei do menor esforço, tentam-me as situações fáceis
Que me fazem evitar o (re)criar
E não fazer mais que um (in)esteticamente reciclar.
Quero desaprender tudo e poder questionar tudo!
Mais vale espantar-me até com folhas de Outono caídas
Que a maior obra prima universal passar-me despercebida,
Como se uma espécie de publicidade subentendida
Que depois de vista, apenas sei que quero ver cores e mais cores
Como se nunca tivesse visualizado qualquer vocabulário cromático.
Como se todas as coisas valiosas fossem estéticas
(Seriam os artistas nobres ou só burgueses?)
O exagero do próprio demasiado,
Cúmulo de todas as tentações da ostentação!
Caímos num cais tão fútil,
Em que a maré é sempre a mesma
E qualquer corpo bóia e nunca se afunda.
Ao meu olhar
Já nem as flores desabrocham, só murcham.
As folhas de Outono morrem secas
Porque já nascem secas.
Já nem sei que o céu é azul, é só céu.
E o céu é uma coisa e o azul é outra,
Já não se pensa dizer as duas coisas na mesma linha
Porque não se pôde dizer três coisas na mesma linha
(Era demasiado dizer três coisas na mesma linha).
Misturam-se os conceitos, quentes com frios
Perco-me, atrapalhado, no padrão lógico
E só me encontro, já aliviado, na contradição
(Mas um contraste não pode ser uma técnica?
É que esbordei tanto suor para fazer um contraste...)
As coisas tornaram-se pré-conceituadas
Que até o mais elaborado verso já está predefinido!
Não PELO olhar Mas POR olhar e não olhar
Todos os dias iguais em horas erradas
Em minutos que, despercebido, me passam...
O Espantar está extinto,
O (Re)criar está banal,
O Aperceber(-se) é obviamente lógico,
O Clássico está fora de moda porque o Contemporâneo é hoje fútil.
Para que lado vou?
Da recta do tédio com a recta da futilidade
Num plano todo ele solitário
De mim, não sei, nem tenho coordenadas concretas
E mal consigo dizer que "cheguei a este ponto!"
Tudo que devoro com um olhar simples
Abafa tudo que foi saboreado com o pensamento construtivo,
Pela lei do menor esforço, tentam-me as situações fáceis
Que me fazem evitar o (re)criar
E não fazer mais que um (in)esteticamente reciclar.
Quero desaprender tudo e poder questionar tudo!
Mais vale espantar-me até com folhas de Outono caídas
Que a maior obra prima universal passar-me despercebida,
Como se uma espécie de publicidade subentendida
Que depois de vista, apenas sei que quero ver cores e mais cores
Como se nunca tivesse visualizado qualquer vocabulário cromático.
Como se todas as coisas valiosas fossem estéticas
(Seriam os artistas nobres ou só burgueses?)
O exagero do próprio demasiado,
Cúmulo de todas as tentações da ostentação!
Caímos num cais tão fútil,
Em que a maré é sempre a mesma
E qualquer corpo bóia e nunca se afunda.
Ao meu olhar
Já nem as flores desabrocham, só murcham.
As folhas de Outono morrem secas
Porque já nascem secas.
Já nem sei que o céu é azul, é só céu.
E o céu é uma coisa e o azul é outra,
Já não se pensa dizer as duas coisas na mesma linha
Porque não se pôde dizer três coisas na mesma linha
(Era demasiado dizer três coisas na mesma linha).
Misturam-se os conceitos, quentes com frios
Perco-me, atrapalhado, no padrão lógico
E só me encontro, já aliviado, na contradição
(Mas um contraste não pode ser uma técnica?
É que esbordei tanto suor para fazer um contraste...)
As coisas tornaram-se pré-conceituadas
Que até o mais elaborado verso já está predefinido!
Não PELO olhar Mas POR olhar e não olhar
Todos os dias iguais em horas erradas
Em minutos que, despercebido, me passam...
O Espantar está extinto,
O (Re)criar está banal,
O Aperceber(-se) é obviamente lógico,
O Clássico está fora de moda porque o Contemporâneo é hoje fútil.
Poema: "Vou... mas não tão longe."
...
Hoje não devia ter saído de casa.
Hoje não devia ter perfurado o raciocínio
Com rotinas ordinárias,
Só porque não tinha tabaco.
E não devia ter voltado cedo para casa
(Uma vez que saído)
Só porque não tinha mais trocos consideráveis.
Hoje não devia ter nascido,
Só porque o meu ser foi vontade de outrem
(Mas uma vez que nascido)
Hoje não devia ter morrido
Só porque a vontade é agora do meu ego.
Tive um diálogo com o meu ego.
Ele disse-me que eu era exagerado de preconceitos,
Eu disse-lhe que ele é que era medíocre de juízos.
Ele disse-me que eu era incoerente com conclusões ambíguas,
Eu disse-lhe que raramente encontramos alguém com bom senso
Para além daqueles que concordam connosco...
Ele respondeu-me que já tinha lido esse filósofo
E que não é assim tão bom quanto isso,
Eu respondi-lhe que ele[o meu ego] era
Como se uma personagem dum livro de Paulo Coelho.
O meu ego então cuspiu-me,
E eu limpei-o da cara
E o meu orgulho meteu-se ao barulho
E atirou o meu ego para o chão como lixo.
E o meu conformismo com medo de mais escândalos
Apanhou-o do chão como uma moeda de poucos centímos,
E paguei o café com o meu ego,
E saí a correr do café antes que o empregado corresse atrás de mim,
Porque o meu ego nunca valeu nada
Nem para mim nem para ninguém.
Eu nunca tive trocos no bolso onde
Guardo refugos da minha fase da afirmação.
E o outro bolso está furado
Desde a última vez que guardei a minha preguiça.
Por isso...
Hoje não devia ter saído de casa.
Hoje não devia ter perfurado o raciocínio
Com rotinas ordinárias,
Só porque não tinha tabaco.
E não devia ter voltado cedo para casa
(Uma vez que saído)
Só porque não tinha mais trocos consideráveis.
Hoje não devia ter nascido,
Só porque o meu ser foi vontade de outrem
(Mas uma vez que nascido)
Hoje não devia ter morrido
Só porque a vontade é agora do meu ego.
Tive um diálogo com o meu ego.
Ele disse-me que eu era exagerado de preconceitos,
Eu disse-lhe que ele é que era medíocre de juízos.
Ele disse-me que eu era incoerente com conclusões ambíguas,
Eu disse-lhe que raramente encontramos alguém com bom senso
Para além daqueles que concordam connosco...
Ele respondeu-me que já tinha lido esse filósofo
E que não é assim tão bom quanto isso,
Eu respondi-lhe que ele[o meu ego] era
Como se uma personagem dum livro de Paulo Coelho.
O meu ego então cuspiu-me,
E eu limpei-o da cara
E o meu orgulho meteu-se ao barulho
E atirou o meu ego para o chão como lixo.
E o meu conformismo com medo de mais escândalos
Apanhou-o do chão como uma moeda de poucos centímos,
E paguei o café com o meu ego,
E saí a correr do café antes que o empregado corresse atrás de mim,
Porque o meu ego nunca valeu nada
Nem para mim nem para ninguém.
Eu nunca tive trocos no bolso onde
Guardo refugos da minha fase da afirmação.
E o outro bolso está furado
Desde a última vez que guardei a minha preguiça.
Por isso...
O Primeiro Post
Do latim "scripta" (escrita), "vagativu" (vadio). Será então o nome deste blog algo como: "Escrita Vadia".
Escrevo quando me apetece e porquê? Porque me apetece. Porque é que me apetece? Sei lá! Sou um vadio que às vezes passeia por palavras. Às vezes nem sei para onde vou e escrevo palavras soltas. Sou capaz até de escrever aqui os refugos da minha fase de afirmação que ainda cá tinha no bolso(se calhar até já escrevi nas entrelinhas destes passos vadios).
Lamechas? Talvez... Mas lamechas com nível.
Rídiculo? Talvez... Mas mais é quem não escreve(aproveitando as lições poéticas do Nandinho)...
Posso até ver isto como uma experiência sociológica, a contemplação pessoal virá por acréscimo(se vier e se me apetecer)...
Agora calem-se-me todos e deixem-me fazer ruído pelo Mundo. Ou só pela minha casinha, não interessa...
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