terça-feira, 8 de abril de 2008

Poema Verde : "Deixa..."

Deixa-me sentar em teu canto,
Como um miúdo que procura conversa,
Estou só à procura de uma inspiração
Para um mortal como eu.

Deixa-me limpar o catarro do pensamento
Crendo que em ti guardam-se os versos do futuro.

Deixa-me reflectir dentro do meu sujeito,
Sem mais do que razões manchadas com interjeições.
Que depois levanto-me,
Espreguiço o meu espírito com filosofia barata,
E fecho a janela dos meus sonhos embalsamados.
E lembro-me que o resto do Mundo
Existe já no fim da minha rua.

"Cá dentro é como se fosse domingo"
- diz a alma enquanto boceja -
"Vai ser um dia longo e chato..."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Excertos poéticos no ecrã: "Yawp" from "Dead Poets Society"




KEATING
Mr. Anderson, I see you sitting
there in agony. Come on, Todd, step
up. Let’s put you out of your
misery.

TODD
I, I didn’t do it. I didn’t write a
poem.

KEATING
Mr. Anderson thinks that everything
inside of him is worthless and
embarrassing. Isn’t that right,
Todd? Isn’t that your worst fear?
Well, I think you’re wrong. I think
you have something inside of you
that is worth a great deal.

Keating walks up to the blackboard and begins to write.

KEATING
"I sound my barbaric yawp over the
rooftops of the world." W. W. Uncle
Walt again. Now, for those of you
who don’t know, a yawp is a loud
cry or yell. Now, Todd, I would
like you to give us a demonstration
of a barbaric "yawp." Come on. You
can’t yawp sitting down. Let’s go.
Come on. Up.

Todd reluctantly stands and follows Keating to the front.

KEATING
You gotta get in "yawping" stance.

TODD
A yawp?

KEATING
No, not just a yawp. A barbaric
yawp.

TODD
(quietly)
Yawp.

KEATING
Come on, louder.

TODD
(quietly)
Yawp.

KEATING
No, that’s a mouse. Come on.
Louder.

TODD
Yawp.

KEATING
Oh, good God, boy. Yell like a man!

TODD
(shouting)
Yawp!

KEATING
There it is. You see, you have a
barbarian in you, after all.

Todd goes to return to his seat but Keating stops him.

KEATING
Now, you don’t get away that easy.

Keating turns Todd around and points out a picture on the
wall.

KEATING
The picture of Uncle Walt up there.
What does he remind you of? Don’t
think. Answer. Go on.

Keating begins to circle around Todd.

TODD
A m-m-madman.

KEATING
What kind of madman? Don’t think
about it. Just answer again.

TODD
A c-crazy madman.

KEATING
No, you can do better than that.
Free up your mind. Use your
imagination. Say the first thing
that pops into your head, even if
it’s total gibberish. Go on, go on.

TODD
Uh, uh, a sweaty-toothed madman.

KEATING
Good God, boy, there’s a poet in
you, after all. There, close your
eyes. Close your eyes. Close ’em.
Now, describe what you see.
Keating puts his hands over Todd’s eyes and they begin to
slowly spin around.

TODD
Uh, I-I close my eyes.

KEATING
Yes?

TODD
Uh, and this image floats beside
me.

KEATING
A sweaty-toothed madman?

TODD
A sweaty-toothed madman with a
stare that pounds my brain.

KEATING
Oh, that’s excellent. Now, give him
action. Make him do something.

TODD
H-His hands reach out and choke me.

KEATING
That’s it. Wonderful. Wonderful.

Keating removes his hands from Todd but Todd keeps his eyes
closed.

TODD
And, and all the time he’s
mumbling.

KEATING
What’s he mumbling?

TODD
M-Mumbling, "Truth. Truth is like,
like a blanket that always leaves
your feet cold."

The students begin to laugh and Todd opens his eyes. Keating
quickly gestures for him to close them again.

KEATING
Forget them, forget them. Stay with
the blanket. Tell me about that
blanket.

TODD
Y-Y-Y-You push it, stretch it,
it’ll never be enough. You kick at
it, beat it, it’ll never cover any
of us. From the moment we enter
crying to the moment we leave
dying, it will just cover your face
as you wail and cry and scream.

Todd opens his eyes. The class is silent. Then they begin to
clap and cheer.

KEATING
(whispering to Todd)
Don’t you forget this.
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Libertem a poesia de vocês. E assim libertem-se de vocês mesmos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Poema Verde: "Fórmula canónica para existência em recta contínua"

A minha fraqueza:
A extinção do meu pensamento.
O meu dom:
A noção de tal extinção.

Para que nos últimos dias não acorde só,
Lembrando-me que o Mundo não aconteceu depois de mim,
E que a erosão interior veio sem ninguém a ter desejado,
Mas tolerando-a com a arte das coisas simples,
Dando a paz à minha mente,
Sedução aos meus sentidos
E o tédio ao espírito
E que a poesia não merece.
...

(Que o Mundo se cale
E que a Vida me sussurre
Qual o proveito de existir canonicamente.)

terça-feira, 16 de outubro de 2007

sábado, 1 de setembro de 2007

Post de Intermissão

Caros vadios leitores,


Ao fim de:

- 6 artigos publicados na Rubrica "Poema";
- 1 artigo na Rubrica "Rascunhos semi-poéticos";
- 1 artigo na Rubrica "Amostra de Adaptação Poética";
- 2 artigos na Rubrica "Poema Verde";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Poema Alheio";
- 4 artigos publicados na Rubrica "Excertos Poéticos no Ecrã";
- 2 artigos publicados na Rubrica "Melodias Poéticas";
- 2 artigos publicados de carácter introdutório e conclusivo;

é com muita pena minha que aqui anuncio que vou deixar de escrever ( ou somente "postar" ) nos próximos tempos.
Tenho demasiada informação retida na minha mente, a precisar de ser melhor canalizada, e por consequência de tal atrofio nas minhas sinápses e neurónios, vou me redimir ao repouso literário.
Porém, não se encare isto como um fim, apenas como uma pausa, ou talvez até uma passagem para uma nova etapa, aqui no "Vagativu Scripta".
Sejam livres de sugerir artigos e ideias, nas quais, o vosso devido mérito será expresso, e com a marca da vossa assinatura, ou daqueles que vocês escolheram para destacar aqui. Ou então sejam apenas livres de comentar ou não comentar, pois eu serei livre também, de os postar ou não postar.

Agora, se me desculpam, eu vou vadiar e então procurar algo que ainda não sei bem o quê...


Atenciosamente,


Pedro Mileto (o vadio)




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ERRATA:

- Onde se lê mente , deverá ler-se "mente" ;
- Onde se lê literário, deverá ler-se "literário".

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Poema: "Bipolar"

Arquiva-me os teus sensores extremos
Na minha mente torácica,
Assim nasce um novo ritmo
Na minha pulsação rotineira,
Que já é tão grande e forte,
Como dizem as mães aos filhos
Aos seus três anos de noção existencial.

Tu...
"Uma sequência genética muito estranha"
- Disse-me ontem o Mundo.
"De duas facetas genéticamente emocionais"
- Diz-me hoje aquele que manda no Mundo.
"Com uma mente pálida e felicidade cansada"
- Me dirá amanhã aquele que criou o Mundo.

Eu...
"Estranha? Duas facetas? Mente pálida?
Não sei, nunca soube, nem me apetece saber."
- Digo eu todos os dias.
Eu que sou mais um
Que nunca mandou no meu chão
Em tempo nenhum.

"Oxalá pudesse eu algum dia
Trocar palavras e sentidos
E afectos e desafectos,
E elogios e insultos,
Risos e sorrisos e choros,
E verdades e mentiras,
E a Vida e a Morte,
Com ela, a inteira e infinita estranha sequência"
E esse foi o melhor pretexto
Para ser rigorosamente são
E existir-me nos tempos últimos.

Ontem fui emocionalmente eu contigo,
E racionalmente estóico com o Mundo.
E hoje deste-me um beijo no espírito
E o Mundo fez-me uma vénia.

Bipolar, dizem eles..
Não sei...
...
"Eu sou um Norte,
E Tu és um Sul.
...
É... talvez comigo, sejas bipolar...
E creio que eu também seja..."
- Digo eu...

sábado, 18 de agosto de 2007

Melodias Poéticas: "Wish you were here" - Pink Floyd



"So, so you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain.
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air to a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war,
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
Have we found?
The same old fears.
Wish you were here."

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Estou com saudades de alguém...
Só que esse alguém não é ninguém que conheço.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Excertos Poéticos no Ecrã: "Henry Fool" de Hal Hartley



Em anáforas, o tom de voz é o que dá a cara diferente a cada verso.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Poema: "Trova assumidamente lamechas num postal transatlântico"

Quando os deuses deixaram de dormir,
Eu com a poesia os tornei a embalar,
Para que dos sonhos eles não pudessem sair
E com um divino poema eu te fizesse acordar.

Não me apetece separar o real do platónico,
E extendi-me da Razão para o surreal.
Pode o meu bom senso tornar-se crónico,
Mas és digna que te escreva como tal!

Com a caneta eu crio mundos ousados,
Com a caneta eu sou um torácico marginal,
Que se atreve a deixar-te versos marcados,
Quando invades a minha atmosfera mental.

Nela guardo lugar para as epifanias cardíacas
Que no teu peito me trarás do extremo ocidente.
Para tal, deixarei de fora as sinápses maníacas,
Que facultam medos de cantar-te por toda a gente.

Em horas que a rotina adormece-me o espírito,
Meu pensamento abriga-se num universo pessoal,
O meu ego torna-se então no núcleo do Mundo,
E tu'alma na sua maior interjeição emocional!

Com a minha poesia eu só consigo vadiar,
E ficar-me por este canto mediterrânico.
Resta a tua arte boleia a meu poema dar
E fazer dele o meu beijo transatlântico!

Agora põe estes versos sobre uns papeis amarrotados,
Voltaremos ambos às nossas vidas de cor pálida.
A globalização dos nossos sentimentos embalsamados,
É de momento, a nossa única (meta)física válida.

Ódio em mim por somente ter-te conhecido.
Queria ter-te mais do que és em meu juízo,
Sem sequer contar retirar o teu vestido,
Sem sequer contar retirar o teu sorriso.