segunda-feira, 16 de abril de 2007

Amostra de Adaptação Poética: "Asa de Mosca"

Asa de mosca
Pudesse eu ser
Mais insignificante que o próprio insecto
Sem pensamento, sem propósito senão bater
E bater e bater e zumbir

Entrar em casas alheias
Como tenta a minha alma entrar noutras almas
Acabando sempre por ser esmagada
Sem sequer disso me aperceber

Não ter estes cinco sentidos
Menos ainda a consciência de ser
E estar...
Apenas bater e voar
Sem nunca ter de pensar.

Sou cobaia da pior das psicopatologias,
O idealismo:
Ter um golo mentalmente
E ter um muro fisicamente.

Não ter de ter...
Apenas uma asa de mosca ser,
Abrir asas, não para vencer
Apenas para nunca viver um perder.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Poema Alheio: "O Me! O Life!" de Walt Whitman




O me! O life! of the questions of these recurring,
Of the endless trains of the faithless, of cities fill'd with the foolish,
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I,
and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light, of the objects mean, of the
struggle ever renew'd,
Of the poor results of all, of the plodding and sordid crowds I see
around me,
Of the empty and useless years of the rest, with the rest me intertwined,
The question, O me! so sad, recurring--What good amid these, O me, O life?

Answer.
That you are here--that life exists and identity,
That the powerful play goes on, and you may contribute a verse.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Rascunhos (Semi)Poéticos - "Conformismo Involuntário ou Inconformismo Voluntário"

(Poesia... Pensar em poesia...
Escrever poesia... Escrever.. Escrever...
Algo original... inovador... apelativo...
Eloquente... Filosófico... Metafísico...)

(Humm... Poesia... Escrever... Pensar... Pensar...
Em quê? Humm... Amores e desamores?
Humm...)
"És lilás, és simplicidade, és coreógrafa do meu coração
Que dança para contemplar o teu!!!"
(Não... É lamechas... é banal... é nojento... é enjoativo...)

(Sociedade? Nem sei por onde começar!!)

Sociedade - Parte I:
Materialismo VS Espiritualismo
"Sou espiritual, sou anti-futilidades materiais..."
(No entanto, tenho de comprar mais um maço de tabaco
Com os trocos que me sobram do ordenado da companhia de telefones
Que serve a minha subsistência para fazer a Arte,
A arte espiritual anti-mecenas, anti-material e anti-consumista,
Entre certos artefactos industrial mas pessoalmente inúteis
Que regalam os meus sentidos...
"(E Tenho mesmo vontade de fumar mais um cigarro...
Raios partam a Arte...
Isto também não resulta... não é verdadeiro... a contradição...
AH! A contradição!)
"Oxalá só fosse a contradição voluntária e a metafísica
Tão metafísica ao ponto de aguçar todos os neurónios e sinapses
Que despertam outros sentidos para além dos convencionais cinco...
"(Não... Assim a metafísica é mais física que metafísica!
A contradição também não resulta...
M...)

Sociedade - Parte II:
Prosmiscuidade VS Afectividade
(Hmm... Mas eu sou ambos!
Mas também, para dois seres muito próximos,
A promiscuidade não lhes pode ser (e)afectivamente prática?
Hmm...)
"Eu e tu somos práticos e estamos mais ainda apaixonados,
Vamos contemplar-nos de todas as formas que nos contemplam,
Tão físicamente intenso, tão tactilmente poderoso que até nos toca a alma!
Somos promíscuos, mas somos mútuos,
Como nos é mútua a nossa afectividade!
Sim! É tão bom para mim! E mais ainda bom para nós
Por saber que é tão bom para ti como para mim,
E vice-versa e versa-vice!
E mútua é toda a nossa intimidade,
Sempre partilhada, sempre equilibrada!
Na balança mais rigorosa do Universo,
Que nos dá uma confiança maior que as nossas almas juntas!
E que nem precisamos de medir de tanta ser a nossa confiança!
Parte essa balança!
Põe em cima da cama a tua intimidade que eu ponho a minha!

Em tudo somos próximos, em tudo somos mútuos, em tudo somos íntimos!
Grande é o nosso amor que torna maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna maior o nosso amor,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso sexo,
Que por sua vez torna ainda maior o nosso amor!

amor, sexO!
amoR, seXO!
amOR, sEXO!
aMOR, SEXO!
AMOR, SEXXXO!

DÍZIMA INFINITA NÃO VARIÁVEL DE DUAS PARCELAS!
A PARCELA "AMOR" COM A PARCELA "SEXO",
DO PRODUTO DA (NOSSA) INTIMIDADE!
E O RESULTADO SOMOS NÓS!!! FUNDIDOS!!!
TABELA DE PROPORCIONALIDADE DIRECTA DE CONSTANTE
AMORxSEXO=INTIMIDADE!

Tamanha a nossa proximidade, afectividade, intimidade, promiscuidade
Que por ti, faço tudo!
Todo o nosso afecto vem servido
Com a cobertura da íntimidade dos valores de príncipios,
E dos favores voluntários da partilha das tarefas rotineiras.
Sim, eu vou até ao fim do mundo contigo,
Sim, eu vou apertar a tua mão no momento do parto do nosso filho
(Ou apenas teu e não meu),
E sim, eu vou passar-te o rolo de papel higiénico
Quando estiveres "ocupada" no trono de porcelana..!"
(Er... Isto não soa lá muito bem...)

...

(Raios! Poesia, poesia...
Raios partam a poesia!
E é tudo que me resta, a poesia!
Abençoada poesia!
Não me prejudiques!
Ajuda-me, poesia!)

(Hmm... Poesia...)
(Sentou-se uma jovem com mais enfeites que uma árvore de Natal,
Na cadeira em frente da minha,
Pediu-me lumes, e disse bem do meu cabelo que nunca penteio...
O meu lastimável cabelo...
Hmm...
Pois...
Frio! Com dignidade e convicção!
Mais importante que uma satisfação física
- Que mais é uma masturbação assistida,
Estão os meus ideais,
A minha tentativa de emirgir da superfície
Deste oceano saturado de cloreto de sódio e futilidades,
Para um oceano com cultura para além das suas orlas!
Para acabar que toda a gente coma chocolate!

"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates!
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"

Pois bem...)

-"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo!"

-"... HÃ???!!!! "
-"Er... a menina por acaso não conhece Álvaro de Campos?"
-"Quem? Estuda onde? De que ano?"
-"... Fernando Pessoa, conhece?"
-"Ah! Sim! Muito bem! Bem, eu ADORO! Fernando Pessoa!"
-"E conhece o poema "Tabacaria" ? "
-"Oh, sim! Claro! de trás para a frente!"
-"E então não conhece o excerto desse poema que acabei de citar?"
-"Qual? "
-"...
Hoje, Eu é que realmente não sou nada..."
-"Ai era..? Pois... desculpa... já viste este video clip na MTV? Bem, eu ADORO! e tu?"

(Eu... Bem, eu ABOMINO!
"Abomino estas estrias sociais
Que sobressaem a pele da Verdade!"
Bom... Contudo...
Não quer dizer que seja má pessoa e irreversível...
Né?
...
A verdade é que neste momento sinto-me mais promíscuo que amoroso...
Mas, ainda assim, não vou ferir os sentimentos e valores de alguém
Que é um pedaço deste mundo!
(E que belo pedaço...)
...
Não!
Nem pensar!
Frontal! Directo!
Não fosse a transparência uma premissa do bom senso,
Um dos ideais meus e do discurso do método!
Há que ser transparente! Ser frontal e não ser cobarde!
Cá vai:)

-"Mas quê? Posso pagar-te uma bebida ou preferes antes o dinheiro?"
-"DESCULPA???!!!"
-"Estás desculpada."
TRESCHX!
...
(O que é que se há de fazer?
Era desnecessário o desperdício de cevada em malte na minha cara...
Mas... bom... de qualquer das formas fiz o correcto!
Com nível! Certo?
...
...?
...!
Nem por isso..!)

(Humm...
Decididamente, não sou poeta...
Decididamente, por mais que o meu discurso seja eloquente,
O conteúdo dos meus versos é falso e/ou vazio.
Decididamente.
Também os porquês da Verdade estarão sempre em mim e em toda a gente,
Quer eu os escreva ou não.
Também os amores e desamores da vida acontecem-me,
Quer eu os escreva ou não.
Também, enquanto espiritual, não hei de deixar de fumar,
Quer eu escreva ou não.
Também toda a pessoa mais apaixonada do mundo há de ser um pingo de promíscua,
Quer eu a escreva ou não.
...
Mas ainda assim não me conformo com a sociedade..!
"Raios partam a Terra e quem lá ande!")
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Os versos:
"(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)"
e
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
são adaptados do poema "Tabacaria" de Fernando Pessoa, sob o heterónimo Álvaro de Campos.

quarta-feira, 28 de março de 2007

Poema Alheio: " To The Virgins, To Make Much Of Time" de Robert Herrick




















Gather ye rose-buds while ye may,
Old Time is still a-flying:
And this same flower that smiles today,
Tomorrow will be dying.

The glorious lamp of heaven, the sun,
The higher he's a getting;
The sooner will his race be run,
And nearer he's to setting.

That age is best, which is the first,
When youth and blood are warmer;
But being spent, the worse, and worst
Times, still succeed the former.

Then be not coy, but use your time;
And while ye may, go marry:
For having lost but once your prime,
You may forever tarry.

Poema: "Crentes"

Ontem à noite fomos uns miúdos,
Que nunca foram ao Porto ou a Lisboa,
Uns crentes...

Fomos até à Foz do Arelho
E ficámos estupefactos com a praia,
Com a noite, e com a noite da praia.
E lembrámo-nos de ti,
E que tu não estavas lá.

Então,
Tentamos trazer-te o mar,
Mas não conseguíamos agarrar a água.
Tentamos trazer-te a areia,
Mas toda ela nas nossas mãos era escassa.
Tentamos inalar toda a brisa marítima,
Mas eramos só quatro pulmões.
Tentamos digitalizar todo aquele panorama,
Mas com a vista só o víamos.
E o som do vento só o ouvíamos,
E não conseguíamos reproduzi-lo.

Contudo,
Colhemos a flor branca da liberdade,
Colhemos a flor amarela do espírito jovem e eternidade,
Colhemos a flor púrpura ou violeta ou magenta ou lilás
Da mútua simplicidade.
Colhemos as folhas verdes e aquelas pseudo-pétalas vermelhas
Da localidade comum ao interior e exterior,
Para ti.

Nós não conseguimos,
Mas esperamos que as flores consigam...
Conseguiram?
...
Não te quisemos acordar,
E deitámo-nos crentes
(Estávamos crentes)
E hoje acordamos crentes
(Somos crentes)
Uns crentes...

terça-feira, 27 de março de 2007

Poema: "Espantar Extinto"

Onde estou?
Para que lado vou?
Da recta do tédio com a recta da futilidade
Num plano todo ele solitário
De mim, não sei, nem tenho coordenadas concretas
E mal consigo dizer que "cheguei a este ponto!"

Tudo que devoro com um olhar simples
Abafa tudo que foi saboreado com o pensamento construtivo,
Pela lei do menor esforço, tentam-me as situações fáceis
Que me fazem evitar o (re)criar
E não fazer mais que um (in)esteticamente reciclar.

Quero desaprender tudo e poder questionar tudo!
Mais vale espantar-me até com folhas de Outono caídas
Que a maior obra prima universal passar-me despercebida,
Como se uma espécie de publicidade subentendida
Que depois de vista, apenas sei que quero ver cores e mais cores
Como se nunca tivesse visualizado qualquer vocabulário cromático.

Como se todas as coisas valiosas fossem estéticas
(Seriam os artistas nobres ou só burgueses?)
O exagero do próprio demasiado,
Cúmulo de todas as tentações da ostentação!
Caímos num cais tão fútil,
Em que a maré é sempre a mesma
E qualquer corpo bóia e nunca se afunda.

Ao meu olhar
Já nem as flores desabrocham, só murcham.
As folhas de Outono morrem secas
Porque já nascem secas.

Já nem sei que o céu é azul, é só céu.
E o céu é uma coisa e o azul é outra,
Já não se pensa dizer as duas coisas na mesma linha
Porque não se pôde dizer três coisas na mesma linha
(Era demasiado dizer três coisas na mesma linha).

Misturam-se os conceitos, quentes com frios
Perco-me, atrapalhado, no padrão lógico
E só me encontro, já aliviado, na contradição
(Mas um contraste não pode ser uma técnica?
É que esbordei tanto suor para fazer um contraste...)

As coisas tornaram-se pré-conceituadas
Que até o mais elaborado verso já está predefinido!
Não PELO olhar Mas POR olhar e não olhar
Todos os dias iguais em horas erradas
Em minutos que, despercebido, me passam...

O Espantar está extinto,
O (Re)criar está banal,
O Aperceber(-se) é obviamente lógico,
O Clássico está fora de moda porque o Contemporâneo é hoje fútil.

Poema: "Vou... mas não tão longe."

...

Hoje não devia ter saído de casa.
Hoje não devia ter perfurado o raciocínio
Com rotinas ordinárias,
Só porque não tinha tabaco.
E não devia ter voltado cedo para casa
(Uma vez que saído)
Só porque não tinha mais trocos consideráveis.
Hoje não devia ter nascido,
Só porque o meu ser foi vontade de outrem
(Mas uma vez que nascido)
Hoje não devia ter morrido
Só porque a vontade é agora do meu ego.

Tive um diálogo com o meu ego.
Ele disse-me que eu era exagerado de preconceitos,
Eu disse-lhe que ele é que era medíocre de juízos.
Ele disse-me que eu era incoerente com conclusões ambíguas,
Eu disse-lhe que raramente encontramos alguém com bom senso
Para além daqueles que concordam connosco...
Ele respondeu-me que já tinha lido esse filósofo
E que não é assim tão bom quanto isso,
Eu respondi-lhe que ele[o meu ego] era
Como se uma personagem dum livro de Paulo Coelho.
O meu ego então cuspiu-me,
E eu limpei-o da cara
E o meu orgulho meteu-se ao barulho
E atirou o meu ego para o chão como lixo.
E o meu conformismo com medo de mais escândalos
Apanhou-o do chão como uma moeda de poucos centímos,
E paguei o café com o meu ego,
E saí a correr do café antes que o empregado corresse atrás de mim,
Porque o meu ego nunca valeu nada
Nem para mim nem para ninguém.

Eu nunca tive trocos no bolso onde
Guardo refugos da minha fase da afirmação.
E o outro bolso está furado
Desde a última vez que guardei a minha preguiça.
Por isso...

O Primeiro Post

Do latim "scripta" (escrita), "vagativu" (vadio). Será então o nome deste blog algo como: "Escrita Vadia".
Escrevo quando me apetece e porquê? Porque me apetece. Porque é que me apetece? Sei lá! Sou um vadio que às vezes passeia por palavras. Às vezes nem sei para onde vou e escrevo palavras soltas. Sou capaz até de escrever aqui os refugos da minha fase de afirmação que ainda cá tinha no bolso(se calhar até já escrevi nas entrelinhas destes passos vadios).
Lamechas? Talvez... Mas lamechas com nível.
Rídiculo? Talvez... Mas mais é quem não escreve(aproveitando as lições poéticas do Nandinho)...
Posso até ver isto como uma experiência sociológica, a contemplação pessoal virá por acréscimo(se vier e se me apetecer)...
Agora calem-se-me todos e deixem-me fazer ruído pelo Mundo. Ou só pela minha casinha, não interessa...